Tempos livres e educação de adultos: o papel da televisão

Autores

Sílvia Correia

Data

Julho 2012
Resumo:

O presente estudo foi desenvolvido na área de Educação de Adultos e teve como finalidade compreender como os adultos ocupam os seus tempos livres e o peso da televisão nos mesmos. Ao longo do nosso trabalho procurámos fundamentar teoricamente os conceitos de educação de adultos, de tempo livre e de ócio/lazer. Acreditamos que a aprendizagem ao longo da vida não pode nem deve descurar os momentos de ócio/lazer e o seu contributo para o desenvolvimento humano. Pensamos também que os modos de ocupação dos tempos livres dos adultos, enquanto terreno de aprendizagens, têm na televisão uma aliada preferencial. Esta investigação procura olhar a educação de adultos na sua dimensão humanista, ou seja, procurando entender a educação como um processo que visa o desenvolvimento humano em todas as suas facetas. Neste sentido, parece-nos fundamental compreender as motivações de ocupação dos tempos livres escolhidas pelos adultos. Na verdade, pensamos que uma educação distante da formalidade escolar, que encare o adulto como sujeito, como aquele que persegue o desenvolvimento ligado aos seus interesses e necessidades imediatas, face a um mercado competitivo, mas também como aquele que procura o seu desenvolvimento integral, tendo por horizonte a felicidade é, na realidade, a educação que urge implementar. Neste sentido, o tempo livre surge como um tempo cujos modos de ocupação promovem aprendizagens que são determinantes no desenvolvimento pessoal e social. Sendo a televisão um media omnipresente no quotidiano de todos, e um dos modos de ocupação de tempos livres mais disponível e acessível, procuramos analisar em que medida esta pode fomentar aprendizagens e assim favorecer a afirmação do humano. Combinando o estudo teórico com o trabalho empírico, realizado numa empresa privada de formação profissional, foi possível concluir que os momentos de ócio/lazer potenciam aprendizagens significativas nos adultos. Estas aprendizagens são principalmente estimuladas por atividades de ócio/lazer menos organizadas, praticadas por si mesmas e definidas na sua vertente autotélica, sendo aquelas a que mais se dedica o grupo de adultos estudado, nomeadamente ao consumo de televisão. Embora partilhando a consciência da dualidade de prós e contras existente nos discursos sobre o pequeno ecrã, foi nossa opção centrarmo-nos nas escolhas e nos usos do telespectador e destacar as suas virtudes, no quadro de uma visão do ócio/lazer enquanto construtor de saberes para uma verdadeira aprendizagem sem idade.

Tipo

Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação (área de especialização em Educação de Adultos)

Instituição

Universidade do Minho - Instituto de Educação

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