Revista Aprender Nº 34

Capa do Livro

Editorial

“Este número 34 da Aprender pretende manter viva a problemática e reabilitar o debate e a discussão, mas, principalmente, neste ambiente adverso, para que os projetos não esmoreçam”.

Tema Central: Educação e Formação de Adultos

Entrevista

A Educação de Adultos como forma educativa e política de resistência...

Abílio Amiguinho entrevista Alberto Melo

Nesta entrevista, Alberto Melo relata e analisa o seu longo percurso pela educação de adultos e pelo desenvolvimento local. Não ficam dúvidas sobre o caráter político de um e de outro que, indelevelmente, associou na sua trajetória pessoal e social de intervenção comunitária, de quase 50 anos. Os propósitos de emancipação e de libertação das pessoas e das comunidades tornaram a educação de adultos numa prática subversiva que os poderes instituídos procuraram esvaziar, ou desviar sistematicamente, das suas intenções mais genuínas ou populares. Como explicitamente refere, essa será a justificação para o estado atual das políticas públicas neste âmbito. Mas este vazio é também o que exige recuperar o sentido de resistência da educação de adultos e impõe novos projetos e práticas alternativos. O contributo de Alberto Melo é, a este título, absolutamente evidente e incontornável.

Novos (des)caminhos da Educação de Adultos?

Rui Canário

A primeira década deste novo século é, sem qualquer dúvida, marcada, em Portugal pela implantação no terreno do programa “Novas Oportunidades”, materializando um conjunto de ofertas educativas, dirigidas a jovens e adultos trabalhadores. Este programa, pelas suas metas extremamente ambiciosas, pelo seu carácter de “campanha” massiva com vista a elevar o nível de qualificações escolares da população portuguesa, pelo modo como articula a iniciativa pública com a intervenção de entidades de direito privado, pelos recursos financeiros que mobiliza, pelas inovações organizacionais e pedagógicas que introduz, vem reintroduzir de modo muito intenso na agenda educativa o campo da educação de adultos.

Idêntico “relançamento” é visível a nível europeu e mundial (UNESCO, 2010 e CE, 2011).

O objectivo deste texto é o de argumentar sobre a mudança de natureza do “campo de educação de adultos”, no início de um novo milénio, recolocando num quadro interpretativo mais geral as iniciativas públicas actuais em matéria de educação de adultos.

Actualidade do pensamento de Paulo Freire – da leitura do mundo à mudança social

Carmen Cavaco

O texto que se apresenta tem por objectivo analisar alguns dos contributos do pensamento de Paulo Freire a partir do campo teórico da Educação de Adultos. Esta análise resultou da apropriação do seu pensamento, decorrente do estudo da sua obra, para a nossa actividade profissional, enquanto docente e investigadora – duas dimensões que para Paulo Freire eram indissociáveis. Como investigadora percebi a importância do pensamento de Paulo Freire quando procurei compreender o processo de formação de adultos não escolarizados.

Simultaneamente, iniciei a actividade como docente na graduação em Ciências da Educação, na Universidade de Lisboa, na disciplina de Formação de Adultos, na qual Paulo Freire passaria a ser o autor de referência e de estudo. A originalidade, a abrangência, a coerência e a actualidade do seu pensamento são factores que, em muito, contribuíram para o considerar uma referência incontornável nas práticas pedagógicas e na investigação em Ciências da Educação.

Em defesa da Iniciativa Novas Oportunidades: a qualificação de adultos é uma prioridade

Luís Capucha

A educação de adultos é centenária, mas nunca teve vida fácil. Foi sendo subalternizada, deambulou entre intenções, experiências, avanços e recuos, períodos de maior atividade e outros de escassa dinâmica, normativos levados e por levar à prática e obedeceu a orientações paradigmáticas umas vezes complementares, outras opostas. Com a Iniciativa Novas Oportunidades (INO) despertou para um sonho daqueles que comandam a vida real. Mas agora, meia década depois, em rutura com todas e quaisquer tradições e ao arrepio de todas as referências internacionais, emergem ameaças que se estão a tornar cada vez mais um pesadelo. Este poderia ser o resumo da trajetória da educação e formação de adultos em Portugal, de que aqui daremos conta. Numa primeira parte, com base na bibliografia disponível, far-se-á uma pequena análise da história da educação de adultos em Portugal e dos princípios em que se foram baseando as respetivas políticas, até 2006. Depois, com base em informação estatística e também na observação como participante, analisar-se-á, em tom ensaístico, o período decorrido entre 2007 e 2011, coincidente com o auge da INO. Por fim, enunciar-se-ão alguns dos desafios que a educação de adultos enfrentará no futuro próximo.

Além do mundo das letras: O caso do analfabetismo em Juromenha

Luísa Maria Serrano de Carvalho

Vivemos num mundo em que a palavra escrita reina. Na região Alentejo, existem, no entanto, muitos indivíduos que não dominam as competências de leitura e escrita, ou seja, são analfabetos.

Por não terem aprendido a ler e a escrever, estes indivíduos possuem uma estrutura cerebral distinta dos indivíduos alfabetizados e, por lhes ter sido “vedado o acesso às letras”, desenvolveram estratégias próprias de aprendizagem que, eventualmente, se traduziram em estilos territoriais de aprendizagem.

Neste artigo, pretende-se dar conta, decorrente de uma investigação da qual resultou uma tese de doutoramento, da forma como, tendencialmente, aprenderam os indivíduos analfabetos da localidade de Juromenha, pertencente à freguesia de menor dimensão do concelho de Alandroal: Nossa Senhora do Loreto.

Revisitando os clássicos: Os contributos de Maslow, Freud, Erikson e Piaget para a compreensão do Fenómeno de Boom, na adesão de adultos ao Sistema Nacional de RVCC

Isabel Silva Ferreira e Joana Roque Morais

Este artigo apresenta algumas reflexões sobre a necessidade de compreender o Fenómeno de Boom, na adesão de adultos ao Sistema Nacional de RVCC, à luz de autores que marcaram a história da psicologia, como Piaget, Erikson, Freud e Maslow.

Pode ler os artigos completos aqui:

http://www.esep.pt/aprender/index.php/revistas/111-revista-aprender-n-34

 

Autor/a

Alberto Melo (entrevistado), Rui Canário, Carmen Cavaco, Luís Capucha, Luísa Maria Serrano de Carvalho, Isabel Silva Ferreira e Joana Roque Morais

Editora

Escola Superior de Educação de Portalegre

Ano

outubro de 2013

Páginas

112

ISBN

ISSN 0871-1267