Um novo desafio

A Iniciativa Novas Oportunidades está a constituir, em Portugal, um factor importante para a afirmação do direito dos adultos à educação. Entre outros méritos deste programa, estamos a conseguir desenvolver em muitas pessoas uma nova postura, construída pela positiva, face à educação e à aprendizagem ao longo da vida.

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Isto foi possível porque se conseguiu conquistar muitos adultos para uma nova oportunidade de aprendizagem e de certificação, mas também porque se lhes proporcionou uma experiência educativa gratificante, precisamente por se ter disponibilizado um dispositivo com soluções formativas flexíveis e diversificadas, mais facilmente ajustáveis aos trajectos, condições e aspirações de cada uma das pessoas envolvidas.

Estamos já perante uma nova realidade na educação de adultos em Portugal, que cria novos desafios a todas as estruturas educativas, formais e não formais, pois são chamadas a proporcionar respostas inovadoras a estas novas procuras educativas. Este é um desafio que exige uma mobilização social alargada. Um dos segredos do sucesso das Novas Oportunidades esteve na sua capacidade de movimentar uma rede, muito densa, de promotores educativos, implicando as redes públicas de escolas e de centros de formação, mas também uma miríade diversificada de entidades não estatais. É este o caminho que teremos que continuar a trilhar para consolidarmos o campo da educação de adultos em Portugal.

Agora, só conseguiremos dar um novo salto qualitativo e estabelecer uma verdadeira revolução na aprendizagem se formos capazes de articular a Iniciativa Novas Oportunidades com estratégias que permitam promover a Educação Não Formal no nosso país. As políticas de afirmação da aprendizagem ao longo da vida suportam-se necessariamente na articulação virtuosa entre as propostas formais e não formais de educação. Este é o nosso novo desafio! Precisamos, para o vencer, de valorizar propostas e práticas já existentes, mas também de estabelecer novas prioridades e de assumir algumas soluções estratégicas essenciais. É necessário que haja, nomeadamente: uma forte aposta política no reforço da educação não formal, assente num compromisso interministerial sólido; uma mobilização empenhada de parceiros e entidades sociais, valorizando o papel a ser desempenhado pelas autarquias locais; a consolidação de uma rede densa e articulada de promotores de educação não formal, com programas públicos consistentes de apoio ao seu desenvolvimento; a constituição de dispositivos de acolhimento e orientação, implicando neste trabalho também os CNO.

Estou certo de que, desta forma, será possível alargar a mobilização da sociedade portuguesa para o desafio essencial da educação ao longo de toda a vida. E esta é uma aposta em que todos devemos estar empenhados, se quisermos construir uma sociedade mais justa, mais desenvolvida e mais democrática.

Luís Rothes é Professor Adjunto e Coordenador do Departamento de Ciências da Educação da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto (ESEIPP)

 

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