Plano Nacional de Leitura vira-se para os adultos

O Plano Nacional de Leitura – PNL, tinha um futuro incerto mas o secretário de Estado da Educação, João Costa, anunciou recentemente no Parlamento que não só se manteria como iria ter em conta um novo público-alvo: os adultos, revitalizando o programa “Adultos a Ler mais” e envolvendo os encarregados de educação nos programas das escolas.

O PNL, além de se manter nas escolas, pretende alargar-se a outras faixas da sociedade. Quer que a leitura faça parte das ofertas dos centros de formação de adultos, envolvendo várias parcerias, nomeadamente a ANQEP (Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional), a Rede de Bibliotecas públicas, em cooperação com a Direção-Geral do Livro e também as próprias editoras.

Divulgamos aqui a notícia publicada no Diário de Notícias no dia 8 de fevereiro do jornalista Pedro Sousa Tavares. 

Prestes a completar uma década, o Plano Nacional de Leitura (PNL) já ajudou a incentivar a competência e o gosto pela leitura em milhões de crianças e jovens. Mas o seu futuro era incerto: no próximo verão termina o segundo ciclo de cinco anos desta iniciativa e não havia garantia de continuidade. Agora surgiu a promessa não só de o manter como de o levar em força a um novo público-alvo: os adultos. A intenção foi anunciada recentemente no Parlamento pelo secretário de Estado da Educação, João Costa, e é reafirmada ao DN pelo comissário nacional do PNL, Fernando Pinto do Amaral. Segundo explicou, esta aposta passa por duas vias: "Uma vai no sentido de revitalizar um programa que já existia, chamado Adultos a Ler. Estamos em contacto com a ANQEP (Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional) no sentido de a leitura fazer parte das ofertas dos centros de formação de adultos", explicou. A outra envolve os alunos nas escolas, que poderão funcionar como impulsionadores do desenvolvimento de hábitos de leitura junto das suas famílias. "Trata-se de os alunos levarem para casa materiais, livros e outros objetos que têm que ver com a leitura e as famílias serem capazes de partilhar com elas essa leitura", explica, adiantando que os temas materiais poderão ir desde "aspetos tecnológicos, de vanguarda", capazes de despertar a curiosidade dos pais até à ficção, "à leitura dita recreativa, pelo prazer".

No fundo, explicou, é fazer o programa expandir-se a toda a comunidade: "Existe o desejo e a vontade de que o PNL, além de se manter nas escolas e a nível do sistema educativo, possa alargar-se a outras faixas da sociedade". Uma estratégia que envolverá várias parcerias, "nomeadamente com a rede de bibliotecas públicas, em cooperação coma Direção-Geral do Livro" e também com as próprias editoras, com as quais espera promover, depois do verão, "um grande congresso do livro, como já houve há alguns anos nos Açores".

Definir objetivos graduais Para Isabel Alçada, escritora, ex-ministra da Educação e primeira comissária do PNL, em 2016 as medidas em cima da mesa são positivas. "Mas ainda não são suficientes", avisa. 'Ainda temos muitas pessoas com analfabetismo ou quase analfabetismo. Os últimos dados apontavam para 5,1% da população, o que representa mais de 400 mil pessoas", lembrou. Por isso, defendeu, a aposta nos adultos não deverá ser um mero complemento da aposta principal nos jovens e sim uma estratégia bem delineada. Até porque é entre os mais velhos que persistem as franjas de analfabetismo. "Tem de haver gradualidade na aposta de adultos. As estratégias têm de se adaptar ao nível de leitura de cada um para que possam ter sucesso", defendeu. Também em relação aos mais novos, nomeadamente no que toca "à iniciação à leitura", Isabel Alçada considera que há muito a melhorar. "E hoje há muita investigação que mostra como se pode melhorar", acrescenta. E é aqui que surge outra diferença de pontos de vista entre a antiga e o atual comissário do PNL. O anterior governo, no âmbito das metas para o Português do ensino básico, reduziu drasticamente o leque de obras que os professores de Português podem trabalhar com os alunos nas salas de aula. Para Fernando Pinto do Amaral, "os professores sempre tiveram a orientação clara de que uma coisa eram as metas, livros fechados e obrigatórios, e a outra são os livros do PNL. As pessoas confundiram por vezes os livros que estavam incluídos nas chamadas listas das metas de aprendizagem com os livros do PNL", considerou. "O PNL tem centenas e centenas de livros de leitura formativa mas que de certa maneira também têm de se ler por prazer." Mas para Isabel Alçada é evidente que o que se define num campo "tem tudo que ver" com as expectativas que se criam no outro: "É impensável, e isso não acontece em mais nenhum país do mundo, que se limite a meia dúzia de livros o que se pode ensinar nas salas de aula. E isso é a antítese do espírito do Plano Nacional de Leitura", defendeu. De acordo com um estudo realizado pela Markteste, no ano passado, junto da população adulta, 55,4% dos homens e 74% das mulheres referiam ter lido pelo menos um livro nos 12 meses anteriores. Números bastante diferentes dos divulgados em 2007, um ano após o lançamento do PNL, que indicavam que era sobretudo entre os mais novos, dos 15 aos 24 anos, que estava enraizado o hábito da leitura, que se ia perdendo à medida que a faixa etária aumentava.

Pode ter acesso a parte da notícia online aqui:

http://www.dn.pt/portugal/interior/plano-nacional-de-leitura-vira-se-para-os-adultos-5020195.html

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