Os Jogos Podem Mesmo Ajudar os Adultos a Aprender?

A aprendizagem baseada em jogos tem recebido recentemente e por todo o lado muita atenção. Desde aulas de geografia baseadas em realidade virtual aos jogos de matemática em tablets, parece que os jogos estão na lista de desejos de cada formador.

Tecnologias como a realidade virtual são ferramentas tremendamente valiosas, permitindo que os jogadores fiquem totalmente imersos nas situações em que estão a aprender ou a treinar.

O Instituto do Jogo em Nova York, tem a missão de provar que os jogos e as experiências de aprendizagem baseadas nos princípios do design de jogos podem fazer exatamente isso

Divulgamos em português um artigo de Pia Heikkilä publicado na revista ELM - European Lifelong Learning Magazine

Os Jogos Podem Mesmo Ajudar os Adultos a Aprender?

Pia Heikkilä do Institute of Play Archives

O Instituto do Jogo, com sede nos Estados Unidos da América, quer desbloquear o poder dos jogos e do jogar para transformar a educação do século XXI.

Matar zombis ou eliminar bandidos no seu telemóvel pode ser mais do que apenas uma descarga de adrenalina ou uma maneira de passar o tempo. Pode realmente ajudá-lo a aprender novas competências.

O Instituto do Jogo em Nova York, tem uma missão de provar que os jogos e as experiências de aprendizagem baseadas nos princípios do design de jogos podem fazer exatamente isso.

O Instituto do Jogo é um grupo de designers de jogos e investigadores que se juntaram no início, há uma década, com o objetivo de promover os jogos como uma ferramenta para melhorar o desenvolvimento pessoal e social na aprendizagem. Hoje, o seu objetivo principal é tornar a aprendizagem irresistível criando nos alunos uma fome de aprender mais.

O grupo quer transformar a educação através de jogos e de princípios de aprendizagem próximos do jogo, diz a diretora do instituto, Rebecca Rufo-Tepper.

"Acreditamos em tornar a aprendizagem relevante para as tecnologias que moldam as nossas vidas, as paixões que alimentam as ambições das pessoas e os requisitos da vida no século XXI", diz ela.

Um ambiente de aprendizagem único

A aprendizagem baseada em jogos tem recebido recentemente e por todo o lado muita atenção. Desde aulas de geografia baseadas em realidade virtual aos jogos de matemática em tablets, parece que os jogos estão na lista de desejos de cada educador progressista.

Nas universidades de todo o mundo estão a surgir novos departamentos com foco no design de jogos e muitos deles utilizando tecnologias experimentais e escolhas não convencionais de design de jogos.

Embora a aprendizagem através do jogar possa estar frequentemente associada a crianças, para os adultos os benefícios também são numerosos. Os jogos podem proporcionar contextos motivadores e envolventes para os adultos lidarem com problemas complexos e assumirem papéis no mundo real.

“Jogos, design de jogos e os princípios que lhes estão subjacentes podem ajudar a construir competências críticas do século 21, tais como pensamento sistémico, resolução criativa de problemas, colaboração, empatia e inovação, que têm uma relevância única como ferramentas sociais para reconstruir as bases da cidadania” diz Rufo-Tepper.

Além de estimular o interesse por meio da exploração lúdica, os sistemas de jogos permitem geralmente que os jogadores compreendam os sistemas de um ponto de vista externo, em vez de um interno, explica Rufo-Tepper.

"Isso permite que os jogadores vejam conexões e pontos de viragem que anteriormente podem ter sido ignorados", diz ela.

jogo precisa de ser usado de maneiras significativas

Tal como acontece com muitos programas e ideias inovadoras, a entusiasmo em torno dos jogos e da tecnologia corre o risco de ser implementada e replicada com os alunos adultos sem um foco.

"Não são os jogos e a tecnologia em si que são poderosos, mas sim a transformação e a aprendizagem que podem acontecer como resultado dessas ferramentas serem usadas de maneira significativa", diz Rufo-Tepper.

Se uma instituição de aprendizagem para adultos deseja implementar jogos e o jogar no seu currículo, precisa de olhar para lá de apenas usar pontos, tabelas de classificação e afins, e criar experiências onde a mecânica de jogo e a dinâmica social resultante enfatizem realmente as capacidades que precisam de ser ensinadas.

“Isso poderia ser feito talvez por meio de simulação e imersão. E é importante lembrar que precisa sempre de existir uma ecologia em torno de um jogo para apoiar a transferência de competências ou de conceitos aprendidos através dos jogos para papéis no mundo real ”, diz Rufo-Tepper.

Aprender fazendo

Os jogos podem promover conexões positivas e autênticas entre os membros de equipa e podem ajudar a criar confiança, libertar a criatividade e desenvolver empatia. Podem até criar produtos inovadores para negócios ou um ambiente para feedback construtivo.

Os melhores jogos permitem que o jogador aprenda fazendo, sem que o jogador tenha consciência disso.

Hoje é totalmente possível criar software que tenha modelos complexos com os quais as pessoas possam interagir e aprender na atividade enquanto jogam.

“Assim, tecnologias como a realidade virtual são ferramentas tremendamente valiosas, permitindo que os jogadores fiquem totalmente imersos nas situações sobre as quais estão aprender ou a treinar”, conclui.

Quem é Pia Heikkilä

Pia Heikkilä é uma jornalista e escritora multilíngue. Vive há uma década no sul da Ásia e tem contribuído para várias publicações internacionais, como o Guardian, Al Jazeera, o National and Global Post. É autora de dois livros de ficção, que foram traduzidos em várias línguas.

Pode ler o artigo em inglês aqui: https://www.elmmagazine.eu/articles/can-games-really-help-adults-learn-better/

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