Laboratório de Tempo, Banco de Aprendizagens

O Banco do Tempo é uma organização que estabelece trocas de serviços entre pessoas, contabilizados apenas pelo tempo utilizado na realização da tarefa. O Laboratório de Aprendizagens em Cascais percebeu que o Banco do Tempo era um projecto que poderia reforçar o trabalho que vem desenvolvendo como um espaço de encontro e de troca de experiências, a ser usado individualmente ou em grupo, com a intensidade que cada um lhe conferir.

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O Laboratório de Aprendizagens (http://labap.no.sapo.pt) foi pensado como um espaço para poder acolher a formação em todas as suas vertentes, cruzando espaços formais e informais, dimensões pessoais e profissionais, ritmos e proveitos diferenciados... um espaço de encontro e de troca de experiências, a ser usado individualmente ou em grupo, com a intensidade que cada um lhe conferir.
Daí a localizar um Banco de Tempo no Laboratório de Aprendizagens foi um passo. Quisemos fazer desta estrutura mais uma plataforma que facilite o encontro e a troca numa perspectiva educativa e formativa. Escolhemos como símbolo o relógio de sol para sublinhar que apesar de no quotidiano contabilizarmos objectivamente, em horas, o tempo utilizado, o essencial está na abertura ao ritmo de cada um, um ritmo que é outro, longo, porque é o da vida e que se pauta por outras ‘balizas’.
A forma e o conteúdo do que aí acontece, no que respeita a aprendizagens, é múltiplo, segundo os desejos. O primeiro e talvez maior desafio será o de permitir-se pedir. A nossa cultura judaico-cristã promoveu em todos nós a generosidade, o altruísmo, o mais difícil passa então a ser pedir, assumir e efectivar que a individualidade acontece em interacção, não isoladamente. Aprender a pedir sem se sentir menorizado passa, com frequência, por aproveitar a oferta de outros – uma caminhada, um tema de conversa, um saber, uma ideia de visita, um projecto – que não aparece como necessidade mas que se toma o prazer em usufruir e participar. Porque não?
Temos aprendizagens e ensinamentos mais concretos: por exemplo, membros que, falando diversas línguas, aceitam promover a língua (a aprendizagem de línguas estrangeiras é um serviço bastante procurado) mas sem ter de dar aulas. Passam a falar em inglês, ou francês, quando temos actividades em conjunto. A aprendizagem dá-se pelo seu acontecer quando estamos juntos numa qualquer actividade.
Temos pessoas que simplesmente querem adquirir uma pertença: vieram recentemente morar para o concelho e querem conhecê-lo, saber da sua história, querem saber os pontos de maior interesse ou locais onde se come bem, ou então desejam simplesmente conhecer gente quando vão ao café. Pessoas que nos procuram com motivos mais profissionais e precisos, e outros que vêm movidos por uma procura pessoal mas de índole diversa. Se o bem estar é um pano de fundo, há um estar de tipo cívico, como aquelas pessoas que procuram o Banco de Tempo sabendo que recebem eco para um projecto: uma horta colectiva, ou a dinamização de um jardim público.
No curso da vida a relação com um tema pode alterar-se. Professores reformados que podem apoiar os mais novos. É o caso da Bárbara que, professora de línguas, mantém o seu grande apreço pela literatura e pelo desafio da escrita. O prazer que tem neste domínio acompanhado do grande conhecimento das exigências organizacionais e curriculares da escola, permite trabalhar com os seus colegas mais novos e, de modo descontraído e entusiástico, ajudar a renovar práticas, recursos, ânimos.
Há também conhecimentos que, não sendo fruto de uma formação certificada, são dominados por membros do Banco de Tempo e podem ser muito proveitosos para quem trabalha com crianças e jovens. Acontece com os programas informáticos que podem dar uma forte melhoria na apresentação e divulgação de trabalhos de alunos, mas com os origamis que podem ajudar a trabalhar o rigor, a meticulosidade, a persistência que uma ‘bancotempista’ aprendeu durante a sua estadia no Japão; ou com um método respiratório que um membro aprendeu em consequência de uma doença com que sofreu vários anos e que pode ajudar a atenuar ou travar situações de aflição.
Esta troca de serviços e conhecimento é baseada na confiança, como pedir a um colega, vizinho ou amigo; pede-se mas assume-se a responsabilidade pelas aprendizagens. Mais do que qualquer certificado ou grau hierárquico, vale o real saber e a capacidade de resolver uma tarefa. Nesse aspecto é coincidente entre o Laboratório Aprendizagens e o Banco de Tempo é, assim o facto de em ambos se tender a horizontalizar relações e saberes.

Irene Santos - Banco de Tempo de Cascais

Sobre o Laboratório de Aprendizagens, ler o artigo de opinião de Miguel Narciso nesta secção do nosso site.

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