Equidade e Inclusão na Educação de Adultos

Existe um desafio comum que os países europeus enfrentam – tornar a educação de adultos acessível a grupos vulneráveis e desfavorecidos. Estudos mostram que as pessoas com mais oportunidades e maior nível de educação têm uma maior probabilidade de participar na educação de adultos, o que contribui para o aumento da desigualdade neste setor.

Como é que aqueles que precisam aprender são encorajados a aprender? Quais as estruturas de apoio para os aprendentes desfavorecidos?

Em que medida a formação é adaptada às necessidades daqueles que mais precisam dela?

Estas são algumas das questões de um texto do Coordenador Temático da EPALE, Simon Broek, que divulgamos no nosso site.

A equidade e inclusão em educação de adultos é o tema da EPALE para o mês de março.

Aprendizagem de adultos e desigualdades: quais as perguntas a colocar quando se projetam “Percursos de Melhoria de Competências”?

Por Simon BROEK

A aprendizagem de adultos é amplamente considerada uma ferramenta para a inclusão social, mas o Coordenador Temático da EPALE, Simon Broek, partilha uma opinião alternativa - que, se não for implementada corretamente, a aprendizagem de adultos pode realmente contribuir para as desigualdades.

Ao longo das últimas décadas, em muitos documentos políticos a nível europeu, a aprendizagem de adultos foi reconhecida como uma possibilidade de uma segunda oportunidade, como forma de resolver lacunas de competências, desigualdades e desigualdade de oportunidades entre diferentes grupos de adultos. Igualmente, de acordo com a iniciativa ‘Percursos de melhoria de competências’:

Cerca de 70 milhões de europeus esforçam-se por utilizar a leitura, escrita e cálculo básicos, ao usar ferramentas digitais na vida cotidiana. Sem essas competências, correm um maior risco de desemprego, pobreza e exclusão social.

A iniciativa ‘Percursos de Melhoria de Competências’ tem como objetivo ajudar os adultos a adquirir um nível mínimo de literacia, numeracia e literacias digitais e/ou adquirir um conjunto mais amplo de competências progredindo para uma qualificação de nível superior ou equivalente (nível 3 ou 4 no Quadro Europeu de Qualificações (EQF) dependendo das circunstâncias nacionais).

A aprendizagem de adultos aumenta as desigualdades?

No entanto, há outra perspetiva sobre o papel da educação de adultos em relação às desigualdades, nomeadamente, que ela as aumenta. Vamos explorar isso mais aprofundadamente.

Muitos estudos afirmaram que os níveis de escolaridade influenciam a participação dos adultos. As pessoas que completaram pelo menos o ensino secundário, estão três vezes mais predispostas a participar na aprendizagem de adultos. Isto é referido como o ‘efeito Matthew da vantagem acumulada’: aqueles que têm oportunidades tiram mais partido delas, enquanto que aqueles que não têm oportunidades ficam num impasse.

O caso da automatização

A OCDE realizou uma análise sobre os empregos que estão potencialmente em risco de automatização:

15% dos empregos poderiam ser feitos por computadores e máquinas

30% dos empregos enfrentam um risco significativo de potencialmente se tornarem totalmente automatizados.

Isso parece alarmante, mas não é invulgar - os trabalhadores sempre se adaptaram e continuarão a fazê-lo.

Para se poderem adaptar, os trabalhadores precisam de ser equipados com os conjuntos de competências adequadas e reside aqui o problema da educação de adultos ampliar as desigualdades.

A análise da OCDE (feita com base no PIAAC) mostra que é mais provável que a automatização cause maior polarização do mercado de trabalho do que o desemprego em massa. Aqueles que não têm as capacidades e competências para obter empregos de nível superior, terão menos oportunidades de progredir na sua carreira e vida.

Todos sabemos que os adultos com baixa qualificação participam menos em formações em comparação com aqueles com altas qualificações. Além disso, as PME oferecem menos formação aos funcionários do que as empresas maiores. Com isso em mente, as possibilidades de formação para os menos qualificados tendem a ampliar a polarização em vez de a resolver. Isso deve-se também ao facto de que é mais rentável para os empregadores investir em pessoas já formadas do que formar o pessoal a partir do zero.

Percursos de Melhoria de Competências

Como garantir que as novas políticas sejam parte da solução e não do problema? Esta é uma questão que os formuladores de políticas nacionais e as partes interessadas na educação de adultos precisam de responder ao projetar a sua abordagem de ‘Percursos de Melhoria de Competências’. Mas há outras questões que é preciso considerar, tais como:

Quão acessível é a aprendizagem de adultos para todos os adultos? Quais as barreiras para que os aprendentes iniciem um percurso de aprendizagem?

Como é que aqueles que precisam aprender são encorajados a aprender? Quais as estruturas de apoio para os aprendentes desfavorecidos?

Quão eficazes são as políticas de divulgação para alcançar aqueles que mais precisam de aprender?

Em que medida a formação é adaptada às necessidades daqueles que mais precisam dela?

Para concluir, o objetivo da ‘Percursos de Melhoria de Competências’ é proporcionar a todos os adultos oportunidades de progredir; no entanto, isto significa que as políticas precisam de se dirigir a grupos que são difíceis de alcançar e de envolver, o que é um processo dispendioso com resultados incertos. É por isso que precisamos de desafiar as políticas para não se contentar com a colheita apenas do fruto mais acessível, mas também para alcançar um pouco mais longe estabelecendo sistemas em que a aprendizagem de adultos seja, de facto, a solução para as desigualdades.

Simon Broek esteve envolvido em vários projetos europeus de pesquisa sobre educação, sobre questões do mercado de trabalho e negócios de seguros. Foi conselheiro da Comissão Europeia, do Parlamento Europeu e de agências europeias sobre questões relacionadas com as políticas educacionais, a aprendizagem ao longo da vida e as questões do mercado de trabalho, e é Parceiro de Gestão no Ockham Institute of Policy Support.

Artigo em inglês: https://ec.europa.eu/epale/en/blog/adult-learning-and-inequalities-which-questions-ask-when-designing-upskilling-pathways 

A EPALE acredita que a educação de adultos pode ser uma ponderosa ferramenta par a promoção da inclusão social e para a melhoria da vida das pessoas. Consulte as páginas temáticas EPALE Inclusão Social e Barreiras à aprendizagem onde a comunidade e as equipas nacionais reuniram artigos, recursos e estudos de caso sobre o assunto (o conteúdo varia consoante a versão linguística selecionada). Visite a EPALE regularmente durante o mês de março, para descobrir novos conteúdos!

Participe na discussão EPALE em direto sobre como assegurar inclusão em educação, a nível de ofertas e de políticas. A discussão decorrerá em inglês e terá lugar nesta página no dia 22 de março de 2018. Será moderada pelo coordenador temático EPALE Simon Broek.

 

 

 

 

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