Divulgação de Projetos - Técnicos/as de Máquinas Florestais em Portugal - Centro Qualifica da Rui Pena & Associados

Divulgamos hoje mais um projeto que se candidatou ao Prémio Semana ALV 2018.

Em agosto/setembro de 2017, o Centro Qualifica da Rui Pena & Associados em Matosinhos, iniciou um projeto piloto para certificar os primeiros Técnicos/as de Máquinas Florestais em Portugal.

As principais profissões do setor são a de Motosserrista e de Operador/a de Máquinas Florestais. Trata-se de profissões que não têm qualquer escola de formação/centro de formação especializado em Portugal (ao contrário do que acontece o resto da Europa), sendo que os operadores destes equipamentos, são adultos que abandonaram precocemente a escola para irem trabalhar nestas empresas, tendo aprendido a profissão no próprio contexto de trabalho.

O caso dos Operadores de Máquinas Florestais (skidder, harvester, forwarder) é de salientar porque está em causa a operação de equipamentos extremamente complexos e caros, sendo que as empresas colocam nas mãos destes homens máquinas muito caras, mas que encontram, em muitos jovens, a perícia necessária para as operarem, contratando-os, sendo que estes acabam por seguir esta profissão.

Como consequência é muito frequente vermos a exercer estas profissões adultos, entre os 25 e os 45 anos, com escolaridades baixas (6º ano, 7º ano, 9º ano), desligados da escola e do sistema de formação profissional (muitas vezes avessos ao contexto escolar por existir a ideia de que exercem profissões de menor importância).

Refira-se ainda que cada vez mais há empresas portuguesas ou de portugueses instaladas no estrangeiro (França, Luxemburgo, Noruega, Suécia) que recrutam estes portugueses, uma vez que são de facto operadores com a perícia e gosto pela profissão (embora a expressão linguística não seja propriamente uma competência de notar), fazendo com que tenham muita procura no mercado de trabalho.

Em agosto/setembro de 2017, o Centro Qualifica da Rui Pena & Associados, em colaboração com a empresa Forestcorte, iniciou um projeto piloto para certificar os primeiros Técnicos/as de Máquinas Florestais em Portugal.

Do grupo inicial faziam parte 10 elementos, sendo que 4 deles acabaram por abandonar o projeto.

Algumas fases deste processo de certificação

A fase de Inscrição e Acolhimento foi realizada nas instalações da Forestcorte (Arouca), num sábado. Quase todas as sessões deste processo foram realizadas em sábados, uma vez que os candidatos estavam a trabalhar durante a semana em locais distantes de Arouca, regressando para as suas famílias ao fim de semana (disponibilizaram-se assim para participar neste processo em vários sábados).

Numa sessão em grupo e de imediato todos os candidatos assinaram a sua inscrição e mostraram interesse em realizar o processo. O primeiro entendimento que os candidatos tiveram do processo foi o de que seriam sujeitos a um processo de avaliação, semelhante ao que acontece nas escolas profissionais, módulo a módulo, com a necessidade de se apresentarem a um Júri no final. Sendo que, não teriam que frequentar formação, porque esses conhecimentos/competências já tinham sido adquiridos ao longo dos anos de experiência profissional na utilização das máquinas. Houve um primeiro contato com o referencial de formação, sendo que os candidatos aceitavam ser sujeitos a uma avaliação em que estava em causa demonstrar competências que julgavam deter: “conduzir uma máquina”, “operar uma máquina” ou mesmo “identificar os constituintes de uma determinada máquina”. No entanto, nesta mesma sessão, alguns candidatos afirmaram que não estavam preparados para ser avaliados em parte dos equipamentos, uma vez que as suas experiências profissionais se limitavam a alguns dos equipamentos do referencial de Técnico/a de Máquinas Florestais.

A fase seguinte, de Diagnóstico, já foi realizada individualmente, tendo-se focalizado no levantamento do percurso escolar e profissional, tendo os TORVC acedido às histórias de vida dos candidatos, começando a entender a consistência das experiências adquiridas. O momento seguinte (Informação e Orientação), realizado também individualmente, focou-se na análise mais pormenorizada do referencial de qualificação. Assim, perante a diversidade de máquinas e equipamentos em que os candidatos teriam que ser avaliados e perante o tipo de “tarefas” que tinham que demonstrar (muito operacionais/práticas), quem detinha menos experiência nalgumas máquinas começou a sugerir fazer “treinos ao fim de semana (sábado)” para poderem preparar-se melhor para as sessões de validação. Esta sugestão foi relevante e muito bem acolhida porque havia equipamentos que quase todos utilizavam raramente, nomeadamente o estilhaçador, a motosserra e o skidder. Note-se que nesta fase, os candidatos também foram questionados sobre a possibilidade de realizarem RVCC Escolar, situação que tinha até aqui sido considerada como “sem qualquer interesse”, perante a informação de que para terem o “Diploma” precisariam de ter o Nível Secundário, a possibilidade foi colocada, mas “para ser decidido depois da obtenção do certificado da componente profissional”.

A fase de encaminhamento era relativamente óbvia, porque desde o início que era essa a decisão a tomar: encaminhamento para processo de RVCC profissional de Técnico/a de Máquinas Florestais.

No dia 4 de agosto de 2018 foi concluído o processo formativo e no dia 15 de setembro foi agendado o júri de certificação que incluía dois novos formadores, um deles o responsável pela segunda fase da Formação Complementar Interna. Do júri previsto, apenas o Sindicato não esteve representado. Foi ainda concebida uma Prova de Júri que era eminentemente prática/demonstrativa da capacidade de operação com um dos equipamentos, seguido de uma entrevista técnica por parte de todos os elementos do júri.

No dia 15 de setembro, foram certificados os primeiros Técnicos de Máquinas Florestais em Portugal.

Para o Centro Qualifica da Rui Pena & Associados, a próxima fase é mostrar a estes profissionais que poderão pensar em enveredar pelo RVCC escolar para tentarem obter o nível 4. Esta situação é particularmente relevante para dois deles, uma vez que estão já a começar uma idade que deve colocá-los alerta quanto ao futuro. Acresce ainda que quer a Forestcorte, quer a Rui Pena & Associados, já lhes referiram que têm potencial para vir a ser formadoras nesta área, uma vez que a escassez é absoluta, e é exatamente o que acontece no resto da Europa: aproveitam-se os melhores operadores para, quando em idades mais avançadas, formarem os jovens. O projeto da Rui Pena & Associados passa precisamente por criar no médio prazo um Centro de Formação Especializado que proporcione este tipo de ofertas, também aos jovens.

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